Por líderes que inspirem

Por Barbara Mazoni*

Estamos carentes de boas lideranças. Essa é uma das maiores verdades. E isso nos assusta. Seja no ambiente corporativo, no âmbito político e dentro de nossos lares. Temos muitos chefes, muitos funcionários com grandes cargos nas costas, mas líderes verdadeiros são poucos. Afinal, líderes são diferentes de chefes. O grande motivo de tudo isso se resume em uma palavra: influência.

Líderes são aqueles que levam pessoas daqui para lá, promovendo crescimento profissional e até mesmo pessoal. Líderes inspiram outras pessoas a serem melhores. Isso porque eles são exemplos, criam ambientes seguros, tiram o melhor de seus funcionários, ensinam e dão o suporte necessário. Não são sanguessugas, que só enxergam sua equipe como máquinas e meios de ganhar dinheiro. Para liderar não basta ocupar um cargo, mas sim energizar sua equipe, afinal, as pessoas precisam se alimentar da paixão de seu líder. De acordo com Melinda Gates, “é na humanidade do trabalho que você se conecta com as pessoas”.

Dados de uma pesquisa feita nos Estados Unidos apontam que 58% das pessoas trabalham apenas pelo seu salário e não pelo orgulho e motivação de estarem em uma empresa que as desafiem e encorajem diariamente a ser alguém melhor. Isso me assusta. Certamente essas pessoas devem trabalhar em empresas que vivem uma cultura do medo, com chefes que não sabem liderar equipes e que sugam seus funcionários, desmotivando-os diariamente. Não quero ser hipócrita de dizer que o salário não importa. Claro que ele é fundamental, mas criar um ambiente de trabalho saudável e motivador faz toda diferença no desempenho da equipe, o que gera impactos positivos até mesmo no financeiro da empresa.

Gostaria de destacar alguns pontos que foram apresentados ao longo das palestras do The Global LeaderShip Summit Brasil 2016 e que todos aqueles que desejam ser líderes devem analisar se possuem, se precisam melhorar ou até mesmo adquirir:

  • Paixão – os líderes precisam ser apaixonados pela causa de sua empresa e constantemente encher o seu balde da paixão. O que te motiva? Às vezes, são viagens, momentos em família, fotos, músicas e gastronomia. Você saberá o que te faz ficar sempre de tanque cheio para alimentar e influenciar a sua equipe. Afinal, você é o combustível de seus liderados.
  • Cuidado com as pessoas – verdadeiros líderes cuidam de seus liderados, pois compreendem que eles são fundamentais para alcançarem, juntos, os objetivos propostos. Para isso, não pode existir a cultura do medo na empresa. Um verdadeiro líder preza pela verdade e busca erradicar os ruídos transacionais, a famosa “rádio peão”.
  • Desempenho – Líderes precisam dar o exemplo e por isso tem que ter alto desempenho. Bons líderes não são aqueles que delegam todas as tarefas e ficam à toa. Saber delegar é importante sim, mas dar o exemplo é mais ainda. Um bom líder sabe medir o desempenho de sua equipe com métricas que os motivem e que não sejam desestimulantes ou inatingíveis. Bons líderes precisam “usar óculos com lentes reajustáveis”, para que a qualquer momento ele possa fazer pequenos desvios que estejam de acordo com o cenário.
  • Legado – é preciso sempre olhar no “retrovisor” para enxergar como as pessoas se lembrarão de você. Qual a marca que você tem deixado? Analise a todo o momento se a sua liderança tem sido pontual (apenas no trabalho ou apenas em casa) e tente sempre expandi-la. Afinal, somos mais do que máquinas registradoras e podemos aflorar nossa liderança para todas as áreas de nossas vidas.

Para finalizar, gostaria de compartilhar com vocês uma narrativa do CEO da Ford, Alan Mulally, que assisti na edição 2016 do Leadership Summit Brasil e que revela a diferença entre um simples gestor e um verdadeiro líder. Ao assumir a Ford, Mulally afirmou a todos os funcionários que eles poderiam apresentar problemas que não tivessem soluções, pois juntos eles resolveriam.  Grande parte dos funcionários não acreditou em seu discurso, já que com maioria dos chefes (que não são líderes) esse tipo de fala está sempre presente, mas as ações são contraditórias. O CEO compartilhou que, em uma das reuniões de gestão, um de seus funcionários levantou a mão, criou coragem e apresentou um problema sem solução e um gráfico vermelho. Todos ficaram atônitos, tentando desencorajar o colega. Entretanto, ele foi aplaudido por Alan Mulally. Essa atitude mudou a cultura de sua empresa e evitou que problemas maiores pudessem vir a acontecer. Ao longo de sua palestra, o CEO descreve que descobriu que o funcionário teve que ser muito corajoso e confiar em sua liderança, pois seus colegas diziam que ele seria demitido se mantivesse a postura; afinal, “um problema sem solução nunca deveria ser apresentado ao alto escalão da empresa”- quem já ouviu essa frase?

Ao final dessa conferência, fiquei muito incomodada ao perceber que Mulally é um CEO fora da curva. Uma grande fatia da realidade empresarial está sempre associada à cultura do medo, nos quais os “chefes” não devem saber a realidade da empresa; agem sempre como “maus” e isso custa a “cabeça de seus funcionários”. O que eles nem sempre compreendem é que isso também gera um gasto desnecessário de dinheiro e investimento de horas extras por conta de retrabalhos, uma vez que os dados e as informações são maquiados. Romper com esse ciclo vicioso, assim como Alan Mulally fez, traz inúmeros benefícios para a empresa, além de reforçar sua posição de líder perante sua equipe e não apenas de CEO da empresa.

Pense nisso: qual tem sido a sua posição?

 

* Barbara Mazoni é relações públicas, analista de relacionamento da Árvore. Texto produzido a partir do Plano de Desenvolvimento Institucional, que faz parte da política de Gestão de Pessoas da empresa. #aquitemarvore

 

Crédito da imagens: Blog do Acelerato

Receba tudo no seu email! Prometemos não enviar spam!

Confira também

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *