Domando nossos medos

Por Rosely Berto*

É comum nos depararmos com o questionamento: Por que mudar a forma de fazer algo, já que temos alcançado os resultados desejados? Rotinas e processos são essenciais no dia-a-dia, pois demonstram assertividade e comprometimento com o planejado, mas há um grande risco de tornar as atividades obsoletas, com resultados pouco criativos.

O controle de uma técnica nos leva a uma situação de conforto e acomodação. E isso se justifica, pois para a maioria das pessoas o que faz sentido é a busca por certezas, estabilidade, fazer o certo, acertar. Mas em um cenário econômico e social de tantas transformações que exigem inovação e reinvenção constantes, ousar é fundamental.

Entender que mudar é bom nem sempre é tarefa simples para todos, pois vivenciar o novo significa se permitir errar. Os erros não são ruins, mas dependendo da forma como lidamos com eles, podem significar um problema, ainda mais em uma cultura punitiva como a nossa. Neste conceito, é comum ao nos depararmos com o estacionamento do pensamento na busca por culpados ou na fuga de problemas e de erros.

Administrar o fracasso dói, já que desconstrói nossas convicções, desequilibra nossa confiança. Dá a sensação de impotência e perda de controle. Mas é importante ter consciência de que não há desenvolvimento e inventividade sem sair do lugar comum. Se ainda não tenho uma expertise, é claro que estou sujeito ao erro. Aceitar isso demanda o grande desafio, que é domar o nosso ego.

Deixar de assumir riscos nos faz rejeitar ideias, por isso a motivação constante deve ser a busca pela criatividade e por um espírito visionário e inovador. Algumas dicas podem ajudar nesse caminho. Para começar, é imprescindível ter consciência do que lhe causa o medo. Para cada ação há sempre diferentes possibilidades, avalie as consequências do caminho escolhido. A partir de fatos e dados, é possível criar teses que lhe permitirão ir além. Diante do erro, encare o fracasso de frente e se estruture para que haja uma reação rápida. É necessário construir em todas as instâncias o sentimento de confiança e autonomia.

Esse efeito tem que ser cultivado nas organizações em todas as instâncias, por isso é fundamental que coexista um discurso e uma prática que reforcem a cultura do aprendizado e do desafio. O erro precisa ser compreendido como uma manifestação de exploração de possibilidades, de talentos e de coletividade. O caminho pode ser criar um ambiente sadio e consciente em que erros sempre existirão, mas o processo se tornará cada vez mais eficiente quanto maior for a habilidade de reação e correção.

 

* Rosely Berto é relações públicas e advogada, coordenadora executiva da Árvore Gestão de Relacionamento. #aquitemarvore

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