“Tempo amigo, seja legal…”*

Por Janaína Magalhães (*)

A sensação do volume de tarefas acumuladas, todas urgentes, essenciais, importantes, de extrema prioridade, estratégicas, de sobrevivência (ufaaa) vai deixando a gente até sem ar no ambiente de trabalho. Não deve ser de hoje que essa loucura ronda os profissionais e adoraria dizer que inventei um método totalmente inovador e disruptivo, para usar palavras da moda, para solucionar. Não é esse o caso…

O que acontece é que quando precisamos da solução de um problema nosso, não estamos dispostos a esperar… queremos pra ontem, pra agora, pra daqui um instante. Mas quando somos nós envolvidos na solução de uma questão, aí nos propusemos a tentar fazer com que o outro compreenda as prioridades, as urgências, o processo, a necessidade de negociar.

Organizar o que fazer no seu dia logo pela manhã ajuda, ter agenda e planejamento também,  mas saber lidar com o que aparece sem avisar, igual visita na hora do banho, também. Quantas vezes já nos corroemos ao olhar para um dia de trabalho, exaustos, quase sem energia pro lanche e notamos que a lista das demandas continua intacta, sem nenhuma atualização? Dói, dá preguiça, em alguns casos até a sensação de frustração.

Uma solução que tenho adotado há quase um ano é manter no paralelo uma agenda surpresa, para que entenda onde dediquei tanto esforço. Não é um tempo perdido, mas sim investido em outras questões que, naquele momento, eram prioritárias. No início, tive resistência em adotar, achei repetitivas as anotações e um esforço quase sem sentido de seguir o que constava no papel. Aos poucos, fui notando que podia ser reconfortante, que justificava ausências e até diminuía a sensação de nunca conseguir terminar nada no tempo previsto.

Outro ganho é conseguir avaliar melhor, ao olhar para trás, como empregou o tempo disponível. Ao analisar o mês anterior para produzir um relatório para o cliente, ao tentar perceber o que houve com aquele tempo previsto para se dedicar à leitura de um livro, à redação de um texto, à caminhada, cinema, vinho com os amigos a gente acaba encontrando respostas palpáveis. E daí dá até pra corrigir a rota no próximo mês. É como se justificássemos a nós mesmos o que fizemos com nosso tempo de forma menos sofrida.

Ok, não precisa escrever na sua lista ‘ligação pro João’ e três linhas depois ‘nova ligação pro João’. Até na hora de anotar e controlar o que se registra é preciso encontrar prioridade, estabelecer critérios de organização.

A tentativa com tudo isso é fazer com que a gente se torne mais dono do nosso tempo e da priorização das tarefas. Com que nos sintamos mais livres pra gerenciar o que chega, de saber como transitar entre as urgências ou pseudo-urgências e dar retornos a quem depende ou espera algo de nós.

Veja, por exemplo, um diagrama de seleção de tarefas que Eugênio Mussak apresenta no livro Metacompetência:

O “não-importante” pode soar pesado e causar até certa resistência em atribuir a esse quadrante alguma demanda. Bobagem… o que está ali vai caminhar, receberá atenção e encaminhamentos. Mas a verdade é que devíamos voltar o olhar pro “urgente e importante”. A chance do que está ali virar uma bomba é enorme, e aí não tem planejamento, priorização, organização de tarefas ou oração que resista. A crise vem e leva tempo, agenda, entregas, disposição e até o cinema junto.

Criar todo esse ciclo de organização só faz sentido se realmente for seguido e se trouxer conforto. Pra mim, fez todo sentido.

*No título, trecho da música Sobre o Tempo, do Pato Fu.

(*) Janaína Magalhães é jornalista e gestora Técnica da Árvore. #aquitemarvore

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