Muito prazer, Catas Altas da Noruega

O ano é 2009. Uma nova equipe assume a gestão de Catas Altas da Noruega, município com pouco mais de três mil habitantes, localizado a 150 quilômetros de Belo Horizonte.

O cenário não é muito animador. Ainda que fosse vista como uma “marolinha”, a crise econômica mundial afetou consideravelmente a receita dos pequenos municípios que dependiam de repasses federais; fortes chuvas destruíram estradas, pontes e equipamentos públicos, principalmente na zona rural; os moradores naturalmente se acomodavam com um cenário cada vez mais real: para se evoluir na vida, era preciso sair da cidade.

Para o novo Governo Municipal, recém empossado, eram três os principais desafios: buscar recursos para reconstruir o que a chuva levou, realizar investimentos e, ainda, melhorar a autoestima dos moradores daquele município de nome imponente, mas desconhecido fora dali.

– Catas Altas da Noruega… Conheço demais. Adoro a Serra do Caraça!
– Não. Aquela é outra cidade, é Catas Altas. Somos de Catas Altas da Noruega.
– Uai, essa eu não conheço…

O diálogo acima era repetido, diariamente, pelo prefeito, à época, em sua peregrinação por Belo Horizonte e Brasília, em busca de recursos.

Como a comunicação pode ajudar nesse cenário? A partir dessa pergunta e de uma análise profunda da cultura local – histórias, atributos, personagens, infraestrutura – a Árvore criou a campanha “Muito Prazer, Catas Altas da Noruega”.

Ancorado na história mais genuína da cultura local, a devoção à imagem de Nossa Senhora das Graças, que caiu de um avião há mais de 70 anos, convidamos os veículos de imprensa a conhecerem uma outra Catas Altas, a da Noruega.

Em seis meses de trabalho, foram diversas as inserções: 30 minutos no programa Terra de Minas, da TV Globo, duas páginas de domingo do Estado de Minas, quatro páginas na Revista Encontro, uma crônica assinada por Maurício Kubrusly em um jornal paulistano, além de dezenas de posts em blogs e portais de cultura, turismo e religiosidade.

Aos poucos, o discurso político-social foi mudando. Em visita ao Governo, por exemplo, a abordagem ao prefeito passou a ser diferente.

– Catas Altas da Noruega… Li uma matéria na imprensa, semana passada, sobre ela. Não sabia que Minas Gerais tinha duas Catas Altas.
– Sim. A Catas Altas, do Caraça, e a da Noruega. Muito prazer, Catas Altas da Noruega.
– Aquela história da santa que caiu do avião é verdade mesmo?

 (e assim começava a conversa…)

Em poucos meses, “Muito Prazer, Catas Altas da Noruega” tinha cumprido seu objetivo. Porém, algo não previsto acabou potencializando os resultados da campanha junto aos moradores. Ao ver seu município e suas histórias na imprensa, nutriu-se um orgulho nas pessoas por fazerem parte daquilo. Com orgulho, muitos  moradores limparam suas ruas, abriram suas janelas e fizeram questão de acompanhar, de longe, como bons mineiros, cada passo das equipes de reportagem.

Diálogo entre um senhor e o repórter da TV Globo:

– Vocês estão gravando é o Linha Direta? (programa de crimes veiculado à época)
– Não. É o Terra de Minas.
– Então vocês vieram para a Catas Altas errada. A Catas Altas bonita fica lá na Serra do Caraça.
– Não. A gente está na cidade certa.

Por sugestão do mesmo repórter, a dona do restaurante local, que só vendia prato feito (PF), construiu um fogão à lenha para servir as refeições. Pela divulgação, uma pousada foi aberta, em tempo recorde. No telão, após a missa de domingo, os moradores pararam para assistir a um Terra de Minas sobre aquele município desconhecido. “Até que Catas Altas é bonitinha”, disse o mesmo senhor que questionou o jornalista, dias antes.

Uma estratégia de gestão de relacionamento articulada, baseada na essência e na verdade daquele lugar, contribuiu para que o município melhorasse um pouco mais. Para a Árvore, foi um grande aprendizado e, para sempre, motivo de orgulho.

Cliente: Prefeitura de Catas Altas da Noruega

Serviço: Planejamento de Comunicação

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