NEUROCIRURGIÃ VASCULAR DO HOSPITAL VILA DA SERRA ALERTA PARA O USO PROLONGADO DA PÍLULA ANTICONCEPCIONAL E OS RISCOS PARA O AVC

No mundo atual, as mulheres têm focado cada vez mais na carreira e adiado a maternidade. No Brasil, o método mais comum de evitar uma gravidez é o uso do contraceptivo oral. Mas muitas mulheres ainda têm dúvidas sobre os riscos do uso indeterminado da pílula.

Não é novidade que as mulheres têm adiado o sonho da maternidade em busca do sucesso profissional. Com isso, o uso da pílula anticoncepcional por tempo prolongado tem sido uma prática, cada vez mais, muito comum. A grande preocupação das mulheres e se o uso do contraceptivo oral pode provocar infertilidade. Mas o que muitas desconhecem é que o uso desse método por tempo indeterminado pode causar danos irreparáveis a saúde. Trinta anos de estudos mostram que os anticoncepcionais, que têm em sua fórmula o estrogênio, aumentam em duas vezes o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A Dra. Marina Brugnoli, neurocirurgiã do Hospital Vila da Serra, explica porque o uso de anticoncepcionais orais representa risco aumento para o AVC e fala sobre como ficar alerta para os sintomas.

1) Por que o uso de anticoncepcional oral prolongado pode provocar Acidente Vascular Cerebral (AVC)? Como isso acontece?

2) O que provoca o Acidente Vascular Cerebral não é o anticoncepcional, mas sim o estrogênio que ela contém. Essa substância aumenta em duas vezes o risco do AVC. O tempo de uso em si não é relacionado ao aumento do risco, mas sim a exposição ao estradiol. É importante alertar as mulheres sobre essa real possibilidade, pois muitas acabam se preocupando apenas com a infertilidade (que não é verdade). A informação correta sobre os riscos à saúde que esse método pode levar deve ser fornecida pelos médicos.

É importante frisar que o estrogênio, que é o estradiol das pílulas anticoncepcionais combinadas, é o fator de risco relacionado ao AVC, mas existem também as pílulas anticoncepcionais que possuem em sua fórmula apenas hormônios derivados da progesterona, que não apresentam o mesmo risco. A eficácia dessas outras pílulas é similar quando tomadas adequadamente e acompanhada por um ginecologista.

3) Qual é o índice de AVC provocado pelo uso de anticoncepcional?
Aproximadamente oito em cada 100 mil mulheres que usam anticoncepcionais com estrogênio têm fatores de risco associados ao AVC. Mas esse número sobe ao associarmos hipertensão, tabagismo, obesidade e enxaqueca. Por exemplo: fumar pode aumentar o risco de AVC em oito vezes.

4) Além do AVC, existem outros riscos, como a trombose, o infarto?
Sim, existem outros riscos como a trombose venosa profunda e infarto agudo do miocárdio. Um estudo recente mostrou que mesmo as “minipílulas”, que são pílulas combinadas com baixa dose de estradiol, aumentaram o risco em aproximadamente duas vezes de infarto e AVC’s.

5) Todas as mulheres que fazem uso do anticoncepcional prolongado estão sob o risco de terem acidentes cardiovasculares? Existem outros fatores que contribuem, como a idade, o cigarro, o uso de bebidas etc? Sim, todas as mulheres expostas ao estradiol apresentam o mesmo risco, mas algumas condições aumentam ainda mais como: hipertensão, tabagismo, obesidade e enxaqueca com aura. Quase sempre é recomendado a esses grupos a interrupção do uso da pílula combinada. Idade acima dos 35 anos também apresenta um aumento do risco, principalmente quando associada aos outros fatores citados acima. Outro fator que influencia no risco é dosagem de estrogênio das pílulas, quanto maior a dosagem maior é o risco.

6) Somente o anticoncepcional oral coloca a mulher em risco ou outros métodos como a injeção e o DIU também podem ser considerados? O DIU pode ser de cobre ou com derivados do hormônio progesterona, logo não possui risco para o AVC. As injeções possuem derivados do estradiol que aumentam o risco para AVC. Reposição hormonal com derivados do estradiol nas mulheres na menopausa também apresenta esse mesmo risco.

7) Quais são os sintomas que as mulheres precisam ficar alertas? É possível prevenir?
Os sintomas mais comuns e que devem chamar atenção são: alteração da fala, boca torta, confusão mental e perda de força súbita. Mas podem também ter alterações visuais, cefaléia intensa ou crise convulsiva. A prevenção consiste principalmente a não exposição ao estradiol, mas se este for o método contraceptivo escolhido, os fatores de risco devem ser eliminados ou muito bem controlados. A prevenção do AVC se baseia na correção dos fatores de risco: interrupção do tabagismo, controle da pressão arterial e diminuição da obesidade.

8) Quais são as sequelas?
As sequelas do AVC podem variar muito, desde alterações de sensibilidade até o coma. Tudo depende de qual vaso do cérebro foi atingido. É muito importante frisar que o AVC é uma emergência médica e que assim com o infarto o paciente deve procurar o hospital o mais rápido possível. Recentemente tivemos um grande avanço no tratamento do AVC, a trombectomia mecânica, com resultados fantásticos de melhora e redução de sequelas. No entanto, ainda vemos muito hospitais, médicos e pacientes em total desconhecimento dessa possibilidade. A trombectomia mecânica é o estado da arte quando tratamos de AVC e todos deveriam saber melhor sobre essa inovação no tratamento.

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