No Rock in Rio – antes do espetáculo começar

Por Janaína Magalhães (*)

Quando aquela trilha do Rock In Rio toca, dificilmente alguém não presta atenção. Mesmo quem não gosta do ritmo já ouviu, reconhece, imagina do que se trata. É mágico o efeito que belas criações, que tem tudo a ver com a identidade da marca, podem causar. Aliás, que tem a ver com seu propósito.

Pois bem, ir ao Rock in Rio é sempre uma fascinação. Tem os fãs de carteirinha, tem a turma que curte um ou outro cantor e vê a oportunidade de enfim assistir ‘aquele’ esperado show; tem quem viveu as peripécias de edições passadas, viu ícones da música mundial se esbaldarem num palco em total interação com a plateia e agora leva seus filhos; os filhos que levam junto os pais que não tinham ainda vivido a experiência; quem pisou na famosa lama de 1985… enfim, são inúmeros os motivos que causam expectativa, curiosidade, desejo de estar ali.

Com 32 anos de estrada, 17 edições realizadas, 8,5 milhões de pessoas na plateia, 1588 artistas envolvidos e mais uma série de números grandiosos e alguns até estarrecedores, a edição de 2015 trouxe uma grande sacada: o Rock in Rio Academy. Um dia inteiro ouvindo as lideranças e até o criador desse evento internacional, de passaporte brasileiro, contando o que acontece antes, durante e depois da festa. Para quem convive com bastidores de eventos e ações corporativas, vive os dilemas da estratégia X operação, dá a vida pelos primeiros segundos de uma apresentação muito aguardada começar 100%, já tomou muito sol e chuva na cabeça para fazer acontecer, ama a visão da coxia do teatro e até sonha à noite com o rádio comunicador, é um prato cheio.

Sim, é muito conteúdo para um único dia. Daria para compor módulos de um curso para pelo menos 30 dias de imersão (e, ainda sim, ficaria superficial). Mas vale conhecer e sentir o gosto do que há por detrás de toda aquela estrutura gigantesca, como e quando se começa a pensar sobre o processo, onde nasce a estratégia, como construir a aproximação com os patrocinadores, como coordenar tanta gente que trabalha e tanta loucura dos fãs, como gerenciar os camarins e as estrelas… som, luz, manutenção, cabos, toneladas de equipamentos, atrações paralelas, shows simultâneos, ações de responsabilidade social, impactos na cidade, parcerias estratégicas para tirar o plano do papel… ufa.

Estar ali no meio daquela turma, em 2015, me fez pensar muito sobre a grandeza de determinados projetos e a ousadia para realizar. O que torna um sonho de um empreendedor realidade? Até onde a ousadia dita o ritmo da nossa história e em que momento passa a ser loucura? Por que não tentar antes de se dar por satisfeito? Como encontrar pessoas e situações certas para os caminhos fluírem? O que sente a pessoa que construiu tudo isso? O que viveu até aquele momento? Quem já passou por ali e ajudou naquele sonho? Como fica daqui pra frente, sem aquela liderança no front? Como pagar a conta de tudo isso? Como fazer gestão de crises? Que riscos estão envolvidos?

Na verdade, muitos eventos podem nos trazer reflexões parecidas. Muitos talvez tenham histórias tão boas, inspiradoras e repletas de aprendizados quanto o Rock in Rio, aplicáveis para todas as áreas e campos de trabalho. Esse ano, tem Rock in Rio e tem Academy mais uma vez. Avaliei o conteúdo, que me parece de certa forma similar ao primeiro. O que não diminuiu aquela vontadezinha lá no fundo de novamente estar ali, pisar no palco, apreciar a estrutura pré-shows, ouvir histórias, aprofundar em uma realidade tão mágica. E, claro, estar também curtindo um dia de shows, relembrando as histórias de bastidores para construir aquela cidade em movimento.

 

* Janaína Magalhães é jornalista e gestora Técnica da Árvore. #aquitemarvore
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