INFECTOLOGISTA DO HERMES PARDINI ESCLARECE DÚVIDAS SOBRE A VACINA DA FEBRE AMARELA

A Dra. Priscila Saleme, médica infectologista, coordenadora do setor de vacinas do Hermes Pardini, esclarece as principais dúvidas em torno da vacina da Febre Amarela.

1) Quantas doses são necessárias? Atualmente, em concordância com a Organização Mundial de Saúde, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Imunizações preconizam a necessidade de apenas 1 dose na vida para obtenção de proteção contra a Febre Amarela.

2) Por qual motivo, no Brasil, o número de doses passou de duas para uma dose? Desde 2013, a Organização Mundial de Saúde, a partir de estudos feitos pelo mundo, definiu a necessidade de apenas 1 dose. O Brasil ainda não havia acatado essa recomendação. Desde 2017, portanto, houve uma mudança no calendário nacional, que passou a recomendar 1 dose única, a partir de 9 meses de vida.

3) Nos demais países são recomendados uma dose ou duas doses? A maioria dos países segue a recomendação da Organização Mundial de Saúde de 1 dose única.

4) A vacina é segura? Qual é a eficácia da vacina? A vacina é segura e, de acordo com a OMS, após 10 dias da vacinação, estima-se uma proteção superior a 90%. Já 30 dias após a vacina, pode-se esperar uma proteção superior a 99%.

5) Com quanto tempo após a aplicação a pessoa pode considerar que está imunizada? A partir de 10 dias da data da vacinação já se pode obter uma proteção adequada. Em função disso, recomenda-se que as pessoas que irão viajar para áreas de risco possam esperar esse intervalo para viajarem com maior segurança.

6) A mutação do vírus, identificada em 2017, reflete na eficácia da vacina? Não, de acordo com o estudo da Fundação Osvaldo Cruz, as mutações identificadas correspondem a proteínas responsáveis pela replicação do vírus. A vacina atual confere proteção baseada nas proteínas responsáveis pelo envelope do vírus, as quais não sofreram alteração. Logo, a eficácia da vacina não foi comprometida.

7) Existe alguma restrição para a aplicação da vacina (grupos que não podem vacinar)? Sim, como ocorre com toda vacina de vírus vivo, há situações em que o risco de um evento adverso supera o benefício da vacinação. Atualmente, a vacina é contraindicada para menores de 6 meses de idade; pessoas com imunodepressão grave por doença ou uso de medicação; pessoas submetidos a transplante de órgão; portadores de câncer; história de reação alérgica grave relacionada a substâncias presentes na vacina, dentre elas o ovo.

8) No caso das grávidas, mulheres amamentando e bebês menores de 9 meses, numa situação de surto, a vacina é recomendada? Sim, esses são justamente os casos que se enquadram como situações de precaução. Conforme o contexto epidemiológico, pode-se definir que o risco de contração da doença pode superar o risco de eventos adversos. Após uma avaliação médica cuidadosa e individualizada, pode-se definir a necessidade de vacinação de gestantes, bebês maiores de 6 meses e de mães que estejam amamentando crianças menores de 6 meses, desde que suspendam a amamentação por um período de 10 dias após a vacinação.